>> sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Quem acompanha os causos reais em meu blog desde seu início(final de 2003) lembrar de uma fase em que amei, sofri, e passado o sofrimento veio o medo. Medo esse durou muito tempo, para ser mais exato só superado no último 15/10, exatos três anos e oito meses após do fim do namoro em 15/2/2004. Porem se faz preciso dizer que por mais que o texto seja dramático a garota em questão não é a vilão da história. Ela é um doce menina-mulher, tem um bom coração, amiga, muito inteligente, alegre... Por favor não pensem que ela é malvada e culpada. Ninguém tem culpa de nada, todos têm o direito de fazer escolhas, ela tem seus direitos e cabe a mim ao menos tentar entender tais escolhas, e mesmo que não consiga entender tenho que respeitar essas escolhas.
Então vamos lá...
Na noite de 15/10, uma pessoa que antes de qualquer coisa é uma amiga já há quase 10 anos puxou conversa no MSN, e papo vem papo vai e convidou-me para um encontro e colocar a conversa em dia. Nada de mais nisso, se não fosse o fato que no passado tivemos um rápido namoro. Tal relacionamento foi o primeiro após do fim do meu casamento e mudou a minha forma de agir com as mulheres. Passei a ser menos atencioso, amigo, romântico, divertido e principalmente sonhador... Mas o fato de está mais SECO não quer dizer que esses sentimentos não estejam em meu espírito, eles existem, mas não tão intensos como outrora, mas quem sabe um dia eu recupero tais.
Quem me conhece sabe que não sou de ficar cultivando raiva, ódio... Então por que quadrar MEDO dessa pessoa?
Passados meses do fim do namoro e não estaria mentindo em dizer que foram anos, de DOR, VAZIO, CANSAÇO, enfim... Superado as amarguras dos sonhos não realizados, veio o MEDO, que me acompanhou o resto desse tempo.
Eu não queria encontrá-la, e isso poderia ter acontecido facilmente, pois temos gostos, trabalhos e amigos em comum. Confesso que evitei contatos! A única vez que não evitei foi em meados de 1995 na única vez que fui à DDK, uma festa gótica que acontece no Cine-Iris (Um dos últimos cinemas de rua do Rio de Janeiro, sua especialidade são filmes pornô com shows de strips durante a semana, aos finais de semana shows de rock e festas alternativas). Lá a encontrei (não ela a mim). Fiquei uns 10 metros de distância e como estava escuro ela não me viu. Seu jeito doce a teria feito vir falar comigo, por conta do MEDO, fiquei agoniado, desesperado, mas consegui me esconder na escuridão. Porém ela acabou sabendo por uma amiga que estive na festa e dois dias depois me adicionou no Orkut, confesso que o fato dela recusar minha solicitação no MSN pouco tempo depois do fim do namoro teve certo peso no fato de passar dois dias para aceitá-la. Reconheço minha infantilidade do tipo: “Ela não me aceitou no MSN, não vou aceitá-la no Orkut” Como acho vingança algo imbecil, aceitei.
Por outro lado em várias ocasiões tive a sensação dela por perto, segundo ela contou se estava por perto não me viu, se tivesse me visto teria falado comigo, disse apenas que uma vez estava num ônibus e me viu andando em Copacabana.
O tempo foi passando e na maior parte por interesse dela ocorreram trocas de scraps, comentários em meu blog, flog e raríssimos e-mails... Até que na madrugada de 28/12/2006 durante as minhas férias em Sergipe e minutos depois de chegar do AJU ROCK FEST II, recebi um pedido de ADD no MSN. Reconheci o e-mail, mas não lembrava de quem era. Aceitei, ela se apresentou e GELEI com a descoberta!
Na melhor boa vontade, puxou papo, tentou ser amiga, demonstrava preocupação, perguntou se a odiava e coisas do tipo. Respondi que não tinha nenhum ódio, raiva, rancor... Mas naturalmente não entendeu quando falei que meu sentimento por ela era o MEDO!
Nossos contatos continuavam esporádicos. Via Orkut fiquei sabendo que seus trabalhos fotográficos (ela também é fotógrafa) seriam apresentados no MOLA, uma mostra cultural no Circo Voador e quase doei sangue para sua mãe na ocasião de uma operação que a mesma passou. Porém, o medo do contato e principalmente o fato de ter peso insuficiente para ser doador me impediram. Felizmente sua mãe hoje está saudável, amiga e alegre como sempre.
Contatos aconteciam apenas no mundo virtual, até que no último dia 15/10 ela sugeriu um encontro. Na hora entendi mal, pensei que eu tivesse marcado algo e furado, ficou até engraçado. Mas ao entender o convite, pensei: “Chega de ter medo, tenho que vencer essa porra, ela é só uma ex tentando ser uma eterna amiga!” Confirmei o encontro para a noite seguinte, sugerindo uma pizza, porém...
16/10/2008 - O Encontro - Colocando tudo pra fora...
...dizem que em momentos de nervosismo alguns atores, músicos, advogados... Ficam sem voz, doentes, desmaiam... O corpo reage desenvolvendo bloqueios psicológicos. Tudo bem não sou advogado, porém bem ou mal já tentei ser músico e ator, contudo algo me coloca em situação igual a eles, ou seja, os sentimentos.
O fato é que acordei rouco e com dor na garganta, tudo bem, estava (e continuo) me alimentado mal. Além disso, na quarta-feira (15/10) fez calor pelo dia e a temperatura caiu à noite, esse choque térmico não é nada bom à garganta, porém nada me faz descrer que ocorreu algo psicológico no meu organismo. Tomei uns antiinflamatórios, e a noite no horário marcado estava lá, ela se atrasou um pouquinho. Antes um dos meus alunos de fotografia encontrou-me, seu nome eu aprecio bastante “Michael”. Conversava sobre fotos de shows com Michael quando ela chegou, nos cumprimentamos e quase não me despedi do xará. Falei a ela que estava afim da pizza com vinho, (adoro o conjunto), mas por conta do remédio preferia um café.
Nossos cafés desciam enquanto colocávamos os fatos ocorridos no período que andamos afastados, trabalho, família, amigos em comum, viagens, faculdades... Lá pelas 22h com o shopping fechando fomos embora. De repente um frio estranho tomava conta de mim, algo que senti poucas vezes, à noite nem estava fria e já encarei ares-condicionados mais gelados. Tremia de frio, na verdade aquele estranho frio me sacudia. Meu corpo parecia querer colocar tudo de negativo pra fora, dar um basta no medo que restava em meu espírito.
Fora do shopping decidíamos se iríamos numa adega (mesmo que eu não fosse beber) ou pizzaria, ela acabou me levando a Pizzaria Parmê, fomos andando e só nesse momento conversamos sobre as realidades chatas do passado, o frio passou um pouco, mas a sensação estranha continuava em meu corpo/espírito.
Entramos na Parmê, recebemos o cardápio e em poucos segundos percebi que aquilo não daria certo, pedi para sair, e ao chegar à calçada entre os carros estacionados e cortando o barato de umas pessoas que conversavam dei a primeira vomitada, achei nojento vomitar na porta da pizzaria, recuperei-me e andei rápido em direção ao outro lado da rua e entre a segunda e a terceira vomitada lembrei de um velho texto do blog do Levi (Ih Caralho.blogspot) onde ele contava que dois dias depois de tomar um pé na bunda de uma ex-namorada ele vomitou bonito.
Ela foi buscar uma água-mineral numa padaria vizinha da Parmê, fiquei no ponto de ônibus dando uma respirada, a água chegou e me desculpei por estragar a noite e ofereci para levá-la em casa. Ao chegarmos ela me perguntou se não queria rever sua mãe e seu irmão (Seu pai agora é outra história um tanto diferente do passado).
Subimos, ela me ofereceu algo para comer, preferi não comer nada, mas aceitei o chá quente que ela me fez, em seguida me levou ao seu quarto, mostrou alguns dos seus trabalhos fotográficos, estava tão fraco que não agüentava segurar seu equipamento fotográfico e isso me fez aceitar o seu convite em dormir por lá, e que fique claro me fez esse convite sem segundas intenções, pois mesmo que tivesse segundas intenções a conheço suficiente para saber que ela é o tipo de pessoa que se preocupa com seus amigos, dando conselhos, cuidando e se conselhos e cuidados não funcionarem ela dará esporro em prol do bem estar dos amigos.
Tomei um banho e os papos de trabalhos, música, faculdade... continuaram, meu organismo melhorou um pouco e já não estava tão fraco quanto antes, me sentia um tanto revigorado. Lá pelas 3h da madruga fomos dormir e o silêncio tomou conta. Olhares, Sentidos, Sorrisos e algumas palavras bastaram para o último medo ser vencido. Porém, antes, fui avisado: “Não quero saber de fazer você sofrer novamente...”, “... Estou indo embora para França...”
Sempre a França! Por que a França? A França me persegue!!
Contudo, optei pelo risco, e resolvemos que voltaríamos a ter bons momentos juntos (só momentos).
17/10/2008 - Horas depois na manhã seguinte...
Apreciei um delicioso sanduíche de queijo com salada, acompanhado de um café quentinho, a tarde não demorou chegar, juntamente com seu pai (acabei o conhecendo). A chegada do pai, e o fato dela não ser fã de muita “grudação” (ao menos comigo é assim e eu sou grudento) me fez reconhecer que era hora de partir. Levou-me ao ponto de ônibus e novamente lembrou que não quer saber que irei depositar esperanças no relacionamento, são apenas momentos.
Entrei no ônibus e senti que algo tinha mudado, ao sentir que a dor de garganta TINHA SUMIDO! Fiquei até curioso em saber se ainda estava rouco e quase comecei a falar sozinho no ônibus para ouvir minha voz, mas só tive essa certeza ao ouvir minha mãe comentando que estava rouco.
Quatro dias se passaram e ouvir pelo telefone algo como: “...Vem pra cá, meu pai não ta em casa...”, me deu um baita orgulho, pois foi um dia péssimo no trabalho. Já no último dia 31/10 ela marcou presença na mini-edição do PARAYBA ROCK FEST (evento que eu organizo). Fora isso nada aconteceu (ou tudo aconteceu), salve uma ligação minha em agradecimento por tudo e alguns papos no MSN. Contudo antes de enviar esse texto para equipe das Mulheres á La Carter, achei ético e justo da minha parte que ela dessa uma lida no texto e colocasse sua visão.
Todos esses acontecimentos valeram para provar que não adianta. Tudo o que eu ACREDITO, SONHO e DESEJO, cedo ou tarde acaba ACONTECENDO. Nunca descartei a possibilidade de que um dia, tais momentos aconteceriam, inclusive disse isso abraçado a ela no primeiro encontro.
Agora é esperar e ver o que vai ou não vai acontecer, no momento minha angustia é a de me sentir um covarde por me deixar bloquear, mas isso é outra história que talvez o tempo proporcione as respostas.
NAMASTÊ
MICHAEL MENESES! – 25, 30, 31/10 e 03 e 10/11/2008




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